"A camera é um instrumento que ensina as pessoas a ver sem camera."

Dorothea Lange


Robert Capa

Uma controvérsia cerca até hoje a fotografia mais famosa de Robert Capa, ‘O Soldado Caído’, feita durante a Guerra Civil espanhola e publicada na revista francesa “Vu” em 1936 (e republicada na “Life” no ano seguinte, quando ganhou repercussão internacional): desde os anos 70 vários pesquisadores afirmam que se trata de uma imagem encenada, ou mesmo que se trata do registro de um escorregão, e não do momento da morte de um soldado. Ainda assim a imagem permanece como um poderoso símbolo do absurdo da guerra, de qualquer guerra.

O caso mostra como Robert Capa e o próprio fotojornalismo são temas difíceis e cheios de ambiguidades, mas Alex Kershaw enfrenta com competência o desafio de abordá-los na biografia “Sangue e Champanhe – A Vida de Robert Capa (Record, 340 pgs. R$ 42,90).

Sintomaticamente, o próprio Robert Capa batizou seu livro de memórias de “Slightly Out of Focus“ – “Ligeiramente fora de foco” – como que reconhecendo algumas liberdades e distorções no texto. Kershaw alcança um equilíbrio delicado  entre a reconstituição anedótica de uma vida aventurosa e a composição de um personagem multifacetado e cheio de defeitos, capaz de despertar ódio e desprezo, mas ainda assim digno de admiração. Como se não bastasse uma trajetória profissional marcada pela cobertura de cinco guerras e pelas amizades e/ou relacionamentos amorosos com celebridades, deixando retratos memoráveis de várias delas, Capa foi o primeiro jornalista a morrer na Guerra do Vietnã, abatido por um morteiro enquanto buscava mais uma imagem.

Nascido em Budapeste em 1913 , André Friedmann, aka Robert Capa, fugiu do país natal para Berlim, ainda adolescente,  a tempo de testemunhar a ascensão de Hitler. Ainda muito jovem, de posse de uma Leica, chamou a atenção dos colegas pela primeira vez com uma fotografia de Leon Trotsky discursando para uma multidão sobre o significado da Revolução Russa, em sua última aparição pública. Mudando-se para Paris na década de 30, passou por sérias dificuldades econômicas, vendo-se obrigado mais de uma vez a pescar suas refeições no Sena.

Capa adotou seu “nome de guerra” quando decidiu partir com a namorada comunista para a Espanha, para apoiar a causa republicana. Lá ficou amigo de Ernest Hemingway, Martha Gellhorn e Herbert Matthews, correspondente do “New York Times”. Quando a namorada morreu atropelada por um tanque desgovernado, Capa afirmou: “Em uma guerra você precisar amar ou odiar um dos lados. Se você não tomar uma posição, não será capaz de suportar o que acontece."

A cobertura do desembarque das tropas americanas na costa da Normandia, no “Dia D”, foi consagradora: as fotografias de Capa permanecem como o registro insuperável daquele momento histórico. O fotógrafo já era uma lenda quando fundou a Agência Magnum, em 1947, até hoje em funcionamento, revolucionando o mercado internacional de direitos autorais na fotografia. Capa também visitou a União Soviética de Stálin e viveu em Hollywood no pós-guerra, quando conviveu com John Steinbech, e o cineasta John Huston, sempre provocando impressões profundas.  Em 1948, estava no recém-criado Estado de Israel para registrar os conflitos entre árabes e judeus.

Robert Capa em ação no Dia D

Depois de testemunhas os horrores de cinco guerras, e à medida que crescia sua reputação internacional, Capa se tornou mais cínico, arrogante, esbanjador (era um perdedor inveterado no pôquer) e mulherengo – Ingrid Bergman foi uma de suas inúmeras conquistas. Aos 41 anos, em 1954, partiu para a Indochina em sua última missão.

 

Fonte: Globo.com

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